Via NPTO, soube que o povo do OrdemLivre.Org chamou um conselheiro do Banco Central Islandês para fazer uma palestra no Rio.
Sim, da Islândia, o país que derreteu.
E eu achando que torcer pelo Santa Cruz que era exemplo de fidelidade a um ideal…
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Sobre a situação da Islândia, esse artigo do tal palestrante no WSJ é esclarecedor. Acusa os Bancos Centrais europeus de não ter dado ajuda à Islândia quando a crise ainda era contornável, e de adotar medidas draconianas depois. Ora, ele até tem razão – há estimativas de que as garantias que estão tentando impor aos compatriotas de Bjork e do Sigur Rós podem ser equivalentes a três vezes o que a Alemanha teve que pagar aos Aliados após a Primeira Guerra. O duro é imaginar que ainda vai ter gente insistindo no mantra dos “Estados malvadões que causam crises”, quando o problema está no fato de pequenos países que liberalizam a sua economia perderem completamente a autonomia, ficando à mercê das bolsas e bancos centrais dos outros. É uma movimentação que já teve precedentes em países de características similares- durante as crises dos anos 80 o gráfico do PIB do Chile parece uma montanha russa, despencando em recessões terríveis e logo depois se recuperando em “milagres liberais”. A diferença é que o Chile não tinha bancos atuando internacionalmente com ativos maiores que o PIB do país – será que a Islândia terá forças para se recuperar com o seu sistema financeiro obliterado?
Enfim, lição final, por Antonio Luiz M. C. Costa:
A desconversa neoliberal para a crise estadunidense e européia – má regulamentação, pressão do governo por empréstimos a devedores pouco confiáveis – claramente não se aplica. Os bancos tiveram liberdade para aplicar como bem entendessem. A dura lição para os investidores ingênuos e teóricos neoliberais é que a moeda, os bancos e o capitalismo de um país não valem mais que o governo que os garante. Mais uma vez, custou caro a ilusão de que o mercado é solução para tudo e o Estado é o problema.

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