Um exemplo anedótico – e quando não é mais necessário desmoralizar o adversário

legal o debate entre os Torreões e o Fabio Marton.

O post do Arranhaponte sobre o Bolsa Família é irretocável, só não é mais divertido do que o Alon quando faz picadinho da entrevista do Jarbas Vasconcelos à Veja.  O jornalista de sobrenome impronunciável tem a vantagem de não estar tão amarrado à honestidade intelectual, essa coisa chata e brochante, e defender logo um Bolsa Família sem nenhuma condicionalidade, só pra usar um princípio liberal (“o indivíduo decide melhor do que qualquer governo”) contra os liberais. Cara, isso é divertido. Ainda melhor é a resposta que provoca: “mas porra, ele faz isso com o MEU dinheiro, não o dinheiro dele” – o sujeito fica encurralado no sua própria clivagem de classes e nefelibatismo. Há 99,9% de chances do sujeito que diz isso pagar, proporcionalmente, menos impostos do que o sujeito que recebe o Bolsa Família. Lindjo!

Mas bem, já que até um senador da República pode citar exemplos anedóticos como argumento, eu vos digo o seguinte: o computador em que esse post está sendo escrito foi bastante ocupado, horas antes, para a confecção de currículos para uma pessoa que recebe o BF. Ela, veja só, está procurando emprego.

Eu nem consigo mais ficar revoltado com a falta de visão dos bizantinos do Irajá, só consigo rir do ridículo mesmo. Gente que acha que os pobres, esses preguiçosos malditos, vão deixar de trabalhar pra receber R$120 reais por mês. E que  esses miseráveis são incapazes de perceber, a médio prazo, se não mesmo a curto prazo, o BF como um direito estabelecido, e não uma dádiva de Pai Lulinha aos seus filhos.

Como foi com o fim da inflação, que FHC conseguiu, e por isso angariou aprovação e simpatia geral do povo.  Mas se Lula não conseguir  continuar a melhorar a vida do povo, vai ter o mesmo triste fim de FHC. A reação do Mandatário Eneadáctilo frente às demissoes do início desse ano prova que o presidente sabe bem disso. Mas ué, o Bolsa Família já não garante o voto de cabresto da escumalha miserável? Por que Lula estaria tão preocupado com os números do emprego nesse primeiro trimestre?

Ok, então,  podem continuar chamando  pobre de burro, dizer que o cara que trabalha em infinitos bicos pra sobreviver e sobrevive melhor porque recebe o BF que sua profissão é  ser eleitor. Ele não vai votar em nada do que você defenda. Nem preciso fazer campanha contra.

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Uma resposta para “Um exemplo anedótico – e quando não é mais necessário desmoralizar o adversário

  1. Um P.S que fica nos comentários.: eu até acho que o Fabio Marton escreve bem, e é um bom debatedor. Apenas as idéias dele com relação ao BF que não tem quase nenhum contato com a realidade…

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